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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cidadania começa com o carrinho de supermercado




O carrinho de supermercado é um ícone! Ele representa a falta de condições de se viver em sociedade. Tem coisa mais estúpida que deixar o carrinho de supermercado atrás do carro vizinho ou na pilastra do estacionamento?

Há funcionários para arrastar dezenas de carrinho? Por que eu iria andar mais 17 metros e perder mais 6 minutos da minha vida para colocar o carrinho no lugar onde eu mesmo peguei?

Menos cidadão é o político que não comparece à câmara, certo? Minha atitude no supermercado tem mais valor!! Afinal, pago impostos... acho... quase... tudo!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A ética do nosso quintal

Ética. Nada mais atual para se discutir. O país vive um momento de consternação e de indignação generalizado. Todos nós temos algo a dizer ou para sugerir. É bem prático suspeitar das atitudes de quem está em evidência. Até mesmo em nosso mundo veterinário. Mas quanto disso é de responsabilidade de cada um de nós? Pior. Será que certas doenças éticas deste país, certos vícios de conduta não começam dentro de nossas clínicas?

A etimologia do termo ‘ética’ pode ge­rar confusão. Há quem diga que o verbete tenha seu correlato no latim morale (mo­ral) e que dele derive seu significado. O Dicionário Etimológico*, porém, diz que o termo é originário do grego ‘éthike’, e que este deu origem ao latim ‘ethica’. E explica que Ética é o estudo geral do que é bom ou mau, correto ou incorreto, justo ou injusto, adequado ou inadequado.

Entende-se que um dos objetivos da ética é buscar justificativas para as regras propostas pela Moral e pelo Direito. São coisas bem distintas. O direito tem limi­tações geográficas, pois cada país tem sua legislação. A moral pode delinear atitudes de pessoas que jamais se conhecerão, no mundo todo. E a ética move-se no mesmo sentido, mas com a finalidade de dar sen­tido às duas anteriores e, principalmente, trazendo-as para dentro de casa, do trabalho, enfim, tornando-as reais.

Por que então, ao mesmo tempo que nos preocupamos – com grande razão, aliás – com os limites morais de nossos políticos, não paramos para pensar em quais de nossas atitudes diárias estão realmente pautadas em princípios éticos? Deixemos de lado, desta vez, as questões financeiras e as de ordem legal que regem a medicina veterinária. Pen­semos em algo ainda mais simples.

Por exemplo: se há uma situação crôni­ca de desentendimento no trabalho, será que é correto levar isso ao chefe, “dando nome aos bois”? Pois o que parece paradoxal, anti­ético, é na verdade, a forma mais assertiva de resolver um problema de relacionamento profissional dentro da empresa, do hospital ou da clínica. Mesmo que isso custe o em­prego do colega. Isso é ser ético.
O problema é que ninguém o faz. E é aí que aparecem os casos de segregação, isolamento e o clima insuportável de que ‘tem alguém sobrando’. E o problema só aumenta, porque o líder não sabe de quem se trata e ninguém lhe dá subsídios para saber. Surgem as injustiças.

Ser ético é, antes de tudo, assumir uma postura pró-ativa e não ficar restrito apenas às tarefas que lhe foram dadas. Contribuir para o engrandecimento do tra­balho como um todo, independentemente de quem está fazendo menos que você. Esse é um dos melhores exemplos de boa postura profissional.

É a velha história dos países que já aprenderam com as próprias dificulda­des. A limpeza pública é dever do Estado, certo? Mas é obrigação de cada indivíduo não se limitar a não jogar lixo nas ruas. Isso é o princípio. Fazer algo mais é fis­calizar seu próprio mundo e não permitir que o vizinho o faça; abaixar-se para pe­gar o maço de cigarros que outra pessoa jogou na calçada, deixar de buzinar nas ruas, não deixar o carrinho de supermer­cado atrás de outro carro, por preguiça de tirá-lo do estacionamento ou simplemente deixar que a pessoa ao lado entre primeiro no elevador são atitudes que representam a prática da verdadeira ética do dia-a-dia, da ética que está ao nosso alcance, da ética que está em nosso quintal.
Grandes nações têm cidadãos que deixaram o assistencialismo do Estado de lado e fazem por merecer cada metro qua­drado em que pisam. Estas pessoas estão mais preocupadas com seus próprios erros que com os do Governo. E nós?

* Cunha, A.G. Dicionário etimológico Nova Fronteira da língua portuguesa., Ed. Nova Fronteira, 2ª edição, 1986, p.939.

segunda-feira, 9 de março de 2009

A saúde França-Brasil

Dos encontros com amigos nos fins de semana sempre surge assunto interessante e, não raro, até relevante. Não foi diferente neste e de um reencontro com amigos de infancia (da esposa, não meus), entre taça de vinho e de água, o debate acalorou quando as comparações entre o sistema de saúde brasileiro e o francês foram confrontados.

A amiga, franco-brasileira radicada na frança, médica e defensora fervorosa do sistema médico europeu rompeu em defesa da homogeneizada medicina naquele país como modelo incontestável da distribuição igualitária de atendimento a todos.

Não se pode refutar por completo sua visão. Casada com médico francês, ela vive este sistema há anos e, como geriatra, tem a nítida impressão de que realmente não há privilégios quando o assunto é saúde da população. Quando quesionada, foi incisiva ao dizer que Sarcozy é atendido pelo mesmo médico do mercador de trufas de Lalbenque!

A questão ali - e a opinião 'brasileira' - era a provável quase injustiça cometida contra o médico que se atualiza, que viaja o mundo em busca de congressos porque este, lá na França, ganha e ganhará sempre o mesmo que seu colega pouco afeito ao seu ofício e às suas tão desgastantes e necessárias atualizações.

Desta feita, aqui no Brasil - e deixando-se os ideiais anti-capitalistas um pouco de lado - oferece ao pofissional a chance de ter seu próprio consultório de onde poderá oferecer seu serviço ao preço que pagar todo seu conhecimento e seu investimento. Paralelamente aos valores de esmola pagos pelos planos de saúde, cada profissional pode, à sua maneira, oferecer e vender seu serviço.

Muitos, claro, não poderão pagar e aí está o cerne de toda a quastão... A elitização do bom atendimento médico é inevitável. mas há quem defenda a democratização do acesso elitista. Porque quem tem condições de pagar sente-se também injustiçado quando não tem acesso ao que há de melhor, mesmo que queira pagar muito.
Ao que parece, a questão volta sempre ao mesmo ponto. Os sistemas são muito diferentes e não podem ser comparados. À sua maneira, cada um tem diversos problemas e também suas vantagens. Teoricamente, o francês até poderia cruzar o país em busca do seu melhor cardiologista. Mas o fato é que, em tese, ele não precisa fazer isso. Aqui, quem pode pagar, não reluta em fazê-lo. E certamente terá sucesso porque o Brasil é reconhecidamente um grande produtor de excelência médica... mas de péssimos profissionais também.
Se aqui o sistema obriga famílias a esperar por atendimento em corredores de hospitais abarrotados, lá a homogeneização e a falta de estímulo aos profissionais acaba nivelando-os por baixo. Se aqui os profissionais não têm tempo nem dinheiro para se reciclar adequadamente, lá é o pouco estímulo à busca do novo que gera o problema.
Não existe melhor ou pior. Existe lá e existe aqui. E Sarcozy que se contente com o que tem. Será?