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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sou escritor

   Sim... sou um escritor.
  Sou escritor, especialmente pela presença da morte em minha vida e em minh'alma. A perda dos segundo da vida me levam para mais perto dela e isso me fascina. Um fascínio paradoxal do não querer deixar a vida sentindo atração profunda pela morte.
  Também por isso sou um escritor. Também por isso eu escrevo... Especialmente para continuar aqui, para não deixar a vida que tanto bem me faz.

Nascer e morrer

  Nascer é muito pior que morrer.
  Por que será que as pessoas têm tanto medo da morte sem jamais pensar no que foi o nascimento?
  Luz, sons, cheiros, toques, calor e frio... tudo ao mesmo tempo.
  Na morte... só o nada... e ponto.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Trecho de si (Sobre a dor e o ódio de si)

E o cão, enlouquecido de dor fantasma
ou dor real, que seja
dor insana que lhe percorre o membro,
em desespero ou ato de loucura
que só a dor lacerante ou a ausência de si podem proporcionar,
abocanha o próprio trecho do corpo para, com fúria de dar medo,
mastigar-se e lambuzar-se... e saciar-se do próprio sangue,

com o que se poderia dizer,
sem receio de injustiça contida,
mais ódio de si e do trecho que lhe pertence,
que da própria dor ou daquilo que, enfermo ou não,
seja a causa, a origem, a essência da dor.
           
O ódio, a raiva, o descontrole
tiram a razão até de quem, por força da natureza,
é regido pelo instinto e que,
composto de trecho por trecho de si,
deles depende para continuar vivo
e sobrevivo neste mundo de homens.
           
Certo está que tamanho desespero
dá a qualquer um, cão e homem,
animal ou não - como se não o fôssemos desde a origem
cegos de ódio de si ou de outro,
a licença antinatural de continuar odiando
a coisa e o ser, não a causa e a razão.

E a consequência inevitável, 
o ato seguinte que não se controla,
não pode ser outro senão
a extinção do trecho de si, do ser, da vida;

a abscisão do membro e da esperança de futuro
enquanto a etiologia e a raiz
permanecem intocadas e ao abrigo da alma,
à espreita e prontas para saltear o outro trecho,
o próximo ser
e devorar um resto de vida despreparada.


Publicado na Revista da Anvlivepa-SP
Ed. 70 - 2010

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Mundo sem Saramago

O mundo a partir de hoje está mais burro... e a literatura portuguesa, ao menos parte dela, estagnou-se.
Que tristeza a passagem de José Saramago. Tristeza pela ausência de quem nunca vi é muito estranho. Parece falso.
Mas dá para entender porque nada foge ao egoísmo de sempre... Tristeza por saber que não teremos mais o texto picante, ateu e agressivamente antirreligioso.