Algumas perguntas de alunos tendem a se repetir frequentemente. Da maioria, eles mesmos se encarregam de nos lembrar. Outras, eu me encarrego de não esquecer. Duas dessas me fazem pensar em nossa incessante busca pelo conhecimento. Duas perguntas diretas, muito simples, que se misturam, mas cujas respostas, não sei se terei.
‘Como faço para me manter sempre atualizado? Como saberei quando já sei ‘o suficiente’?
A história pode ajudar um pouco. Pensemos apenas nos últimos 150 anos da história do homem. Passamos por uma impensável explosão que fez nosso conhecimento se multiplicar em progressão geométrica. E por isso, o homem deixou de caminhar a não mais que 6 km/h para viajar em foguetes a quase 200 km/h. As pessoas não morrem mais aos 40 anos. Cada família hoje tem uma ou duas pessoas com mais de 80 anos. Muita coisa mudou nestes poucos anos e os casais passaram a conviver por mais de 50 anos juntos. O número de divórcios, claro, também aumentou consideravelmente..
Mas o que isso tem a ver com nossas duas inquietantes perguntas? Simples. O que assusta é que este é o ritmo em que devemos nos atualizar. Pode ser assustador para um aluno, mas a resposta é uma só: é impossível hoje manter-se plenamente atualizado.
E eu explico pensando na forma mais clássica de transmissão e atualização do conhecimento: os artigos científicos publicados em revistas. Supondo que fosse possível que um indivíduo lesse 1 trabalho cientifico por hora, durante 10 horas por dia e 7 dias por semana, durante um ano inteiro. Quanto ele teria conseguido assimilar?
Para facilitar, vamos considerar apenas artigos publicados na área de Bioquímica, por exemplo. Com toda essa dedicação, ele teria conseguido ler somente 7% de tudo o que foi produzido durante apenas um ano naquela área!
O que fazer diante dessa constatação? A única forma de contornar tamanha velocidade da produção do conhecimento moderno é a especialização. É a única maneira de estar no ano de 2009 em termos de conhecimento. É bem possível que as pessoas se mantenham em ‘períodos diferentes da historia’ quando se fala de áreas distintas do conhecimento. No campo da arquitetura, Oscar Niemeyer é um indivíduo que, aos 102 anos, vive seu conhecimento em 2009. Mas não seria absurdo imaginar que ele esteja em meados do século XVIII quando o assunto é ortopedia veterinária. Tudo o que ele, provavelmente sabe a respeito é o que se sabia naquela época.
Especialmente na área da saúde, é insensato querer acompanhar a velocidade da produção científica. Medicina e ciências biomédicas respondem sozinhas por mais de 40% de toda a produção científica nacional! Em virtude da própria necessidade e da demanda da sociedade mundial, a área da saúde foi sempre a que mais se desenvolveu e a que mais publicou. Ainda hoje, esta é a área que mais publica artigos e a que mais se desenvolve em termos de inovações e descobertas.
Ao que parece, nossas duas perguntas continuam difíceis de responder. Querer atualizar todo o conhecimento é utopia. A saída é criar um funil para a informação através da especialização para, então, focar em algo concreto que nos permita ‘correr atrás de perto’ e tentar se manter no século XXI!
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009
quarta-feira, 11 de março de 2009
Medo de escrever
Em recente crônica que publiquei na Revista da Anclivepa-SP (http://www.anclivepa-sp.org.br/rev-61-04.htm) tratei de um assunto que muitos colegas já vinham me questionando. Onde escrever? Eu quis começa um pouco antes: quem quer escrever? Os questionamentos são sempre norteados pela 'qualidade' da revista em que se vai publicar, mas a questão inicial é que poucos querem, realmente, escrever. E na medicina veterinária, isso é ainda mais notório.
A questão é tão somente querer escrever e, em saguinda, saber qual o objetivo do texto. Claro que o curriculum de um pesquisador precisa de publicações Qualis A, mas este texto fica restrito ao meio acadêmico. Se o objetivo é atingir público maior, menos especializado ou leigo, o destino do texto deve ser outro. E quem fará o texto ser bom será seu autor.
Tudo isso parece óbvio agora, mas muitas pessoas perdem tempo e conhecimento preciosos ao se negarem a escrever ou dar consultoria a revistas 'menos conceituadas'. O texto bem escrito e atraente pode suplantar qualquer preconceito contra este ou aquele veículo.
E ao ler algo ruim em um deles não percamos tempo... publiquemos algo bom em sua próxima edição.
A questão é tão somente querer escrever e, em saguinda, saber qual o objetivo do texto. Claro que o curriculum de um pesquisador precisa de publicações Qualis A, mas este texto fica restrito ao meio acadêmico. Se o objetivo é atingir público maior, menos especializado ou leigo, o destino do texto deve ser outro. E quem fará o texto ser bom será seu autor.
Tudo isso parece óbvio agora, mas muitas pessoas perdem tempo e conhecimento preciosos ao se negarem a escrever ou dar consultoria a revistas 'menos conceituadas'. O texto bem escrito e atraente pode suplantar qualquer preconceito contra este ou aquele veículo.
E ao ler algo ruim em um deles não percamos tempo... publiquemos algo bom em sua próxima edição.
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