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segunda-feira, 9 de março de 2009

A saúde França-Brasil

Dos encontros com amigos nos fins de semana sempre surge assunto interessante e, não raro, até relevante. Não foi diferente neste e de um reencontro com amigos de infancia (da esposa, não meus), entre taça de vinho e de água, o debate acalorou quando as comparações entre o sistema de saúde brasileiro e o francês foram confrontados.

A amiga, franco-brasileira radicada na frança, médica e defensora fervorosa do sistema médico europeu rompeu em defesa da homogeneizada medicina naquele país como modelo incontestável da distribuição igualitária de atendimento a todos.

Não se pode refutar por completo sua visão. Casada com médico francês, ela vive este sistema há anos e, como geriatra, tem a nítida impressão de que realmente não há privilégios quando o assunto é saúde da população. Quando quesionada, foi incisiva ao dizer que Sarcozy é atendido pelo mesmo médico do mercador de trufas de Lalbenque!

A questão ali - e a opinião 'brasileira' - era a provável quase injustiça cometida contra o médico que se atualiza, que viaja o mundo em busca de congressos porque este, lá na França, ganha e ganhará sempre o mesmo que seu colega pouco afeito ao seu ofício e às suas tão desgastantes e necessárias atualizações.

Desta feita, aqui no Brasil - e deixando-se os ideiais anti-capitalistas um pouco de lado - oferece ao pofissional a chance de ter seu próprio consultório de onde poderá oferecer seu serviço ao preço que pagar todo seu conhecimento e seu investimento. Paralelamente aos valores de esmola pagos pelos planos de saúde, cada profissional pode, à sua maneira, oferecer e vender seu serviço.

Muitos, claro, não poderão pagar e aí está o cerne de toda a quastão... A elitização do bom atendimento médico é inevitável. mas há quem defenda a democratização do acesso elitista. Porque quem tem condições de pagar sente-se também injustiçado quando não tem acesso ao que há de melhor, mesmo que queira pagar muito.
Ao que parece, a questão volta sempre ao mesmo ponto. Os sistemas são muito diferentes e não podem ser comparados. À sua maneira, cada um tem diversos problemas e também suas vantagens. Teoricamente, o francês até poderia cruzar o país em busca do seu melhor cardiologista. Mas o fato é que, em tese, ele não precisa fazer isso. Aqui, quem pode pagar, não reluta em fazê-lo. E certamente terá sucesso porque o Brasil é reconhecidamente um grande produtor de excelência médica... mas de péssimos profissionais também.
Se aqui o sistema obriga famílias a esperar por atendimento em corredores de hospitais abarrotados, lá a homogeneização e a falta de estímulo aos profissionais acaba nivelando-os por baixo. Se aqui os profissionais não têm tempo nem dinheiro para se reciclar adequadamente, lá é o pouco estímulo à busca do novo que gera o problema.
Não existe melhor ou pior. Existe lá e existe aqui. E Sarcozy que se contente com o que tem. Será?

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