Existem livros ruins?
Não há como dizer que em um universo tão gigantesco de publicações que nascem a cada ano, todas elas sejam de boa qualidade. Mas há uma questão: o que é esta qualidade? O livro da minha vida não é o livro da vida dos outros. E frequentemente não são livros considerados de refinado conteúdo literário.
Não raro são textos lidos na adolescência e que podem ter despertado um prazer antes não conhecido. O prazer da leitura. Só isso já garante o sucesso de uma publicação.
A partir daí, cada um cria suas próprias fases e, em certos períodos, muda seu foco de interesse. Há quem leia ficção científica durante anos e, sem motivo aparente, muda para algum romance histórico... e nele fica por tantos outros anos.
O importante é notar que esta variação pode bem ter sido garantida pelo interesse pela leitura gerado naquelas primeiras fases, com livros nada consagrados. Ler Dostoievski pode só se tornar interessante depois de se ler muitas novelas de banca de jornal. Para chegar a Kafka é preciso aprender a ler, é preciso ter lido o primeiro... e ter se apaixonado.
Daí a importância de se tomar todo cuidado quando se 'obriga' crianças e adolescentes a ler um literatura pouco atraente. Ler exige esforço, claro. Mas há uma fase da vida em que se cria antipatias com quase tudo e com mais frequencia que em qualquer outra fase. Talvez aí seja mais coerente fazer concessões e esperar algum tempo até que, com mais paixão, se possa sugerir algo de mais conteúdo.

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